Criador de Ori aponta fim da hiperespecialização na indústria de games
Muitas empresas gigantes do setor de jogos inflaram seus quadros de funcionários com foco em hiperespecializações, em que cada profissional cuida de um detalhe minúsculo. Essa estrutura pesada gerou orçamentos monstruosos em títulos AAA que, cada vez mais, fracassam em recuperar os custos operacionais. Em contraste, o cenário independente consegue retorno financeiro excelente com investimentos moderados, evidenciando um descompasso no modelo de negócios das grandes publicadoras. A era da especialização extrema parece ter chegado ao limite produtivo, enquanto demissões em massa continuam assolando várias empresas de peso no mercado.
Thomas Mahler, criador de Ori, observa que esses dois mundos estão colidindo, destacando que profissionais que dominam múltiplas ferramentas de produção conseguem tornar os processos muito mais ágeis e eficientes. Diante da reestruturação severa da Xbox, Mahler afirmou que ele próprio faria cortes na marca e que as decisões difíceis eram previsíveis. “É triste ver o que está a acontecer na Xbox atualmente. Muitas boas pessoas afetadas e não quero minimizar isso, mas sendo honesto, há muito que se esperava isto e não tenho a certeza se fica por aqui. Pode ser o início de um reinício muito maior em toda a indústria. A longo prazo, penso que esse reinício pode ser bom para os jogos e os jogadores”, ponderou o desenvolvedor. A visão expõe os excessos de gestão cometidos pelas multinacionais do setor, apontando que o modelo atual de hiperespecialização e orçamentos inflados pode estar com os dias contados.
Fonte: Mundo Gamer